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REALISMO / NATURALISMO – Contexto Histórico e Características

Riqueza e miséria, crescimento desordenado dos centros urbanos, mudança radical nos meios de comunicação, grandes avanços científicos. A Revolução Industrial transformou a face da Europa e trouxe consigo a urgência de uma nova estética, capaz de refletir esse processo. O Realismo responde a essa necessidade.

O Realismo reflete as profundas transformações econômicas, políticas, sociais e culturais da Segunda metade do século XIX.  A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, entra numa nova fase, caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade; ao mesmo tempo o avanço científico leva a novas descobertas nos campos da Física e da Química. O capitalismo se estrutura em moldes modernos, com o surgimento de grandes complexos industriais; por outro lado, a massa operária urbana avoluma-se, formando uma população marginalizada que não partilha dos benefícios gerados pelo progresso industrial mas, pelo contrário, é explorada e sujeita a condições subumanas de trabalho.

Esta nova sociedade serve de pano de fundo para uma nova interpretação da realidade, gerando teorias de variadas posturas ideológicas. Numa seqüência cronológica temos o Positivismo de Auguste Comte, preocupado com o real-sensível, o fato, defendendo o cientificismo no pensamento filosófico e a conciliação da “ordem e progresso” (a expressão, utilizada na bandeira republicana do Brasil, é de inspiração comtiana); o Socialismo Científico de Karl Marx e Friedrich Engels, a partir da publicação doManifesto Comunista, em 1848, definindo o materialismo histórico (“o modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, político e intelectual em geral” – K. Marx) e a luta de classes; o Evolucionismo de Charles Darwin, a partir da publicação, em 1859, de A origem das espécies, livro em que ele expõe seus estudos sobre a evolução das espécies pelo processo de seleção natural, negando portanto a origem divina defendida pelo Cristianismo.

Willian Bell Scott, Ferro e carvão, 1861, óleo sobre tela. O mundo do trabalho industrial ganha destaque como tema de telas do período

* A arte da segunda metade do século XIX deixou de lado a emoção e a subjetividade românticas, valorizando a razão e a objetividade.

* O progresso definitivo das cidades, a industrialização, o avanço das ciências e o florescimento de novas correntes filosóficas criaram um ambiente hostil ao sentimento romântico.

* Os tempos exigiam uma arte responsável, que registrasse a observação  objetiva da realidade.

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EVOLUÇÃO DO REALISMO-NATURALISMO NA EUROPA E NO BRASIL

FRANÇA

Exposição de Courbet (1855)

Gustave Flaubert: Madame Bovary (1857)

Émile Zola: Thérèse Raquin (1867)

 

PORTUGAL

Questão Coimbrã (l865) – ideais revolucionário, política e cultura.

Eça de Queirós: O crime do padre Amaro (1875)

Abel Botelho: O barão de Lavos (1891)

 

BRASIL

Abolição da escravatura (1888); República (1889)

Machado de Assis: Memórias póstumas de Brás Cubas

Aluísio de  Azevedo: O mulato (1881)

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REALISMO

• Retrato fiel das personagens
• Descrições objetivas, tentando captar o real como ele é.
• Linguagem culta e direta.
• Mulher não idealizada, mostrada com defeitos e qualidades.
• Amor e outros sentimentos subordinados aos interesses sociais.
• Casamento como instituição falida; contrato de interesses e conveniências.
• Herói problemático, cheio de fraquezas, manias e incertezas.
• Personagens trabalhadas psicologicamente.
• Narrativa lenta, acompanhando o tempo psicológico.
• Procura interpretar  o caráter da personagem.
• Representação da realidade que permita denunciar aspectos negativos da    sociedade.
• Temas de interesse coletivo (adultério, opressão, corrupção, etc.)
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NATURALISMO

A presença marcante da ciência e da industrialização na vida cotidiana da pessoas lança novos desafios para os escritores.

Qual deve ser o papel da literatura diante dessa presença?

Os naturalistas procuravam responder a essa questão com romance experimental.

• Cientificismo: procuravam observar o homem objetivamente, considerando-o como um “caso” a ser analisado cientificamente
• Personagens patológicas: mórbidas, adúlteras, psiquicamente desequilibradas, assassinos, bêbados, doentes, prostitutas, etc.
• Animalização do homem.
• Crítica social.
• Literatura à serviço da ciência.
• Olhar racional e objetivo da realidade.
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Diferenças entre Realismo e Naturalismo

  • A Principal característica do Realismo é a Psicologia 
  • A Principal característica do Naturalismo é a Cientifica

Daumier, Vagão de terceira classe, 1860-1863. Óleo sobre tela, 65x90cm. O pintor francês Daumier tinha interesse em retratar a dura vida das classes mais pobres, como neste seu famoso quadro, em que destaca os rostos cansados dos passageiros de um trem.

 

“O Realismo é uma reação contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; – o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para condenar o que houve de mau na nossa sociedade.” Eça de Queirós.

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